Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Dúvida existencial

O que valida um autor, ou uma obra em concreto?

-Mero gosto adquirido pelo desenvolvimento das competências estético-cognitivas?

-Espelho do momento em que é criado?

-Como se forma um Clássico, quem o faz e quantas/os décadas/séculos são precisos?

publicado por C. às 17:21
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10 comentários:
De numadeletra a 4 de Setembro de 2012 às 09:18
Acabei de ler um...
De C. a 4 de Setembro de 2012 às 12:40
E o que é que op torna um? é a escrita, é a mensagem- deverá ser tudo (concedo). Mas o que torna uma percepção individual numa colectiva?;)
De numadeletra a 4 de Setembro de 2012 às 13:55
Unanimidade de critérios?
Nãããão... parece-me ser mais uma questão de qualidade indiscutível!
De C. a 4 de Setembro de 2012 às 14:56
Não só a questão de unanimidade de critérios, porque há momentos de ruptura, havendo redefinição constante.
Já a questão de qualidade indiscutível- o que é para mim bom, é-o para os demais ? (esta questão colide com o que penso, acredito nas obras universais, mas estava para aqui a pensar com os meus botões na génese de um mito, ou seja, agora no século XXI que obra/autor podemos apontar?:))
De Carriço a 4 de Setembro de 2012 às 17:05
Não vou por respostas muito académicas porque 1) não tenho competências/habilitações para isso e 2) porque as acho redundantes, neste caso. O essencial, para mim, é: a obra valida o autor, o leitor valida a obra e o tempo valida os clássicos.
Claro que a validação da obra pelo leitor, hoje, não se pode verificar por números, já que há máquinas enormes de publicidade e marketing a "obrigarem" a determinadas leituras. Já o tempo... raramente se engana. O que se ler daqui a umas duas/três gerações, sem interregno, é clássico. Em jeito de aposta, diria que Lobo Antunes e Saramago serão, dentro de uns anos, clássicos da literatura portuguesa e arriscaria, no panorama internacional, o nome de DeLillo, entre muitos possíveis.
De As Minhas Quixotadas a 4 de Setembro de 2012 às 17:09
Fiz a minha tese de mestrado sobre oos clássicos, por isso podia passar a tarde a falar disso com todo o prazer do mundo. Mas acho que ninguém quer isso, eheh.

São muitas as coisas que fazem de um clássico um clássico. Um clássico é o tipo de livro a que, quando retiradas as marcas próprias do tempo em que nasce, o que sobra é intemporal. Também a qualidade estética do texto e as ideias ou os problemas que a humanidade sempre terá estão nos clássicos. Não há um prazo certo que faça com que depois eles ganhem esta designação: mas clássicos são os livros que resistiram ao tempo, que foram sendo lidos e comentados e a que sempre voltamos. E voltamos porque são inequivocamente bons (isto não é pacífico: há sempre quem pergunte quem decide o que é bom ou não. Na dúvida temos de ver o que é dito em centros de saber como as universidades ou qual a opinião dos melhores críticos). São, no fundo, aquelas histórias que conhecemos sem que as tenhamos lido. É tudo isto o que faz um clássico, já para não falar do facto de serem os livros que entram para o cânone e que uma certa elite letrada faz com que sejam discutidos e homenageados em centros de cultura como as universidades.

Resumindo: o clássico chega a clássico porque sobreviveu ao tempo e às múltiplas leituras que dele se fizeram. Há alguns autores que escrevem coisas interessantes sobre os clássicos. Se depois quiser, posso indicar-lhos.

Boas leituras!
De Carriço a 4 de Setembro de 2012 às 17:35
Ora cá está uma resposta mais académica e com a qual concordo perfeitamente. Tocou no ponto essencial para a definição de um clássico e acrescentou outros bem pertinentes.
De C. a 4 de Setembro de 2012 às 17:59
Agradeço-vos a exposição/ troca de ideias (hum...acho que é essa a finalidade de um blog:)).
Esta questão veio à tona por ter começado a ler o "A Civilização do Espectáculo" e de estar a articular a leitura com (pre)conceitos.
Sim concordo com a questão da intemporalidade, Homero ou mesmo Aristóteles não continuam a marcar gerações por mero acaso. a condição humana, a génese do pensamento europeu tal como o conhecemos está nesses textos.
Por outro lado estava para aqui a pensar no papel das elites enquanto fundadoras de mentalidades e confesso que tremi, pensei na criação de fenómenos, pensei no condicionalismo à análise individual e numa ideia colectiva. Claro que há excepções, como de resto em tudo.
Mas será possível dividir a cultura em alta e baixa cultura, uma para as minorias, outra para as maiorias assim tão facilmente?
De As Minhas Quixotadas a 4 de Setembro de 2012 às 21:47
Boa questão. Daí que o livro do Llosa esteja a torcer tantos narizes. Nos dias de hoje parece-me dificil separar a «alta cultura» da «baixa cultura» (com uma certa pena minha). As suas fronteiras estão demasiado esbatidas para isso.

Quanto aos centros de saber, bem, é verdade que pode ser assustador o facto de tanto contribuírem para a decisão do que é bom e do que é mau aqueles que estão nas faculdades, nas fundações, nas cátedras desta vida. Mas vá, esse é apenas um dos aspectos que faz um clássico. O facto de serem livros que continuam a ser editados e lidos e cujos valores expressos são intemporais e, por isso, sempre interessantes para o Homem é, para mim, o que mais importa. É clássico o que é inequivocamente bom e que, por isso, não foi esquecido com o tempo. Claro que depois um livro é entendido de maneira diferente em cada época em que é lido (pense-se na diferente interpretação que os românticos fizeram do Quixote, tão distinta de outras anteriores e até da do presente), contudo é sempre apreciado e sempre lhe encontram valor. E por isso continuarão a ser lidos, mesmo daqui a muitos anos.

Enfim, adoremos os clássicos que é para isso que cá estão. E para fazerem de nós melhores pessoas, claro. :)
De C. a 5 de Setembro de 2012 às 13:32
Sim, é continuar a ler os Clássicos e ir estando atenta à actualidade, possivelmente com um ou outro lapso pelo caminho. ;D

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