Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012

#5




 

Cosmos (1965) não é o primeiro livro que leio de Witold Gombrowicz, escritor polaco nascido em 1904, considerado, juntamente com Bruno Schulz  e Stanislaw Witkiewicz, uma das vozes mais originais e influentes da literatura polaca. Quando estala a 2ªGG encontrava-se na Argentina, onde permaneceria cerca de 25 anos vivendo de colaborações com jornais e revistas. Anteriormente li  Ferdydurke, romance publicado em 1937, e tido como a obra-prima do escritor. Parti para a minha experiência Gombrowicz com expectativas elevadas e apesar de considerar que é um romance com ideias originais,  bem concebido, no qual através de um processo de infantilização das personagens faz uma crítica ao sistema educativo e às classes sociais, muito particularmente à burguesia, à  pretensa modernidade, a verdade é que essas expectativas não foram superadas.

 

Com Gombrowicz, depois da leitura de Cosmos e com o Pornografia na estante à espera do tempo apropriado, cheguei à conclusão de que existem autores sobre os quais a nossa  razão nos diz que são bastante interessantes, que é possível realçar diversos aspectos que podemos admirar na sua escrita, e até que num outro autor do qual gostamos consideravelmente está exposto de forma semelhante, no entanto não se dá aquela passagem para o que se transforma um livro genial, que pega em nós e nos abala ao mesmo tempo que nos clarifica a visão e nos dá ferramentas úteis para tudo o que vem depois.

 

Nos seus Diários o autor apresenta-nos Cosmos da seguinte forma:

1962-O que é um romance policial? Uma tentativa de organizar o caos. É por isso que o meu Cosmos, a que gosto de chamar «romance sobre a formação da realidade», será uma espécie de narrativa pessoal.

 

1963- Estabeleço dois pontos de partida, duas anomalias muito distantes uma da outra: a) um pardal enforcado; b) a associação da boca de Catherette à boca de Léna.

E esses dois problemas começam a reclamar um sentido. Um penetra o outro, numa tendência para a totalidade. Assim principia um processo de suposições, de associações, de investigações, algo irá criar-se, que será, no entanto, um embrião monstruoso, um aborto... e essa obscura, essa incomprensível charada exigirá uma solução... irá em busca duma Ideia que explique, que instaure uma ordem...

 

Resumidamente em Cosmos acompanhamos um jovem que se afasta de Varsóvia, da família, com a qual tem alguns desentendimentos, para uma localidade perto das montanhas. Ao chegar a esse local depara-se com um pardal enforcado, a juntar a esta situação estranha, sente-se profundamente atraído, obcecado com um defeito físico de Catherette, um acidente havia deformado a sua boca, acresce uma pulsão erótica direccionada a Léna. E assim somos conduzidos em espiral em torno das obsessões levadas ao extremo, ao grotesco.As ideias fixas apoderam-se dos actos de cada um e condicionam ou fomentam-nos para no fim permitir que se possa regressar ao real.
publicado por C. às 19:41
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