Domingo, 19 de Abril de 2015

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desiludido de todos os adjectivos, das académicas subversões, dos tremendos discursos por onde nos reconhecem génios de pouca vida, desistira dessa identidade falsificada que pressurosamente lhe atribuíram, e pensava que o eu que subverte à medida dos desejos dos outros e é pautado por um alheio querer, pode ter a vantagem da glória prematura (e afinal toda a glória é prematura) mas não o usufruto de um prazer para que talvez fomos feitos ou estados somos, prazer do incógnito, do maligno das eternidades queimadas à partida, das filosofias mortas num momento de qualquer dor absoluta, via que as histórias não chegavam a esboçar-se nos seus lábios, que eram um vago sibilar de quem ainda se não subtraíra ao prazer da crença para descansar, porque não sendo um deus nem sequer a medida imperfeita dele, nos momentos de apoquentação vinha-lhe a urgência de morder qualquer coisa que o restituísse à vizinhança dos homens, o estrume de onde brotam as palavras: terra matricial da fala

 

Os Deuses da Antevéspera de Rui Nunes, Vega

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publicado por C. às 11:58
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