Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Ler Mais Vs. Ler Melhor

 

«Há cada vez mais livros a viajar nos transportes públicos

Numa sociedade cada vez mais apressada, a leitura nos transportes públicos é uma forma de se aproveitar o tempo gasto nas deslocações entre casa e o trabalho. E, pela comodidade, o comboio é onde mais se lê.» (continuação)

 

Porque é 2ªf, e por norma às 2ªfs de manhã não consigo tirar o livro da mala, tenho a possibilidade de ver os hábitos de leitura dos portugueses:

As senhoras- Nora Roberts e aqueles livros que têm todo o aspecto de virem dentro de saquinhos coloridos;

Os senhores- As sagas fantásticas ou policiais;

Transversal- José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares-a coisa dispara sempre que há novidades

Depois existem os booms- não percebo como é que se geram fenómenos como o Segredo e o não sei que de Grey- Isto é como a peste, alastra!

 

No outro dia apanhei um ser com o Sr Lobo Antunes- bem, não fosse a minha timidez mórbida teria certamente sorrido, estabelecido contacto- prefiro perder-me internamente na ilusão de pensar "e um cafezinho e dois dedos de prosa?" - Sim, confesso a minha incapacidade para ler ALA nos transportes que é onde leio mais e entretanto vou adiando a sua leitura (brevemente "O Manual dos Inquisidores");

 

Bem sei que a leitura é um prazer e blah blah (whiskas saquetas). Ninguém nasce ensinado, como tal é ir aprendendo, compreendendo, articulando conhecimento. Contra as minhas convicções, coloco-me ao lado do Vargas Llosa (antevejo aqui um recalcamento) as pessoas tendem a procurar o que é fácil, e o pior não é isto, mas simplesmente querer permanecer aí com o argumento de que tudo o resto são tiradas pseudo-intelectuais.

 

E isto é o que eu denomino AZIA DE 2ªF (com reflexos de um resultado medíocre em Coimbra)

 

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publicado por C. às 11:54
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9 comentários:
De As Minhas Quixotadas a 24 de Setembro de 2012 às 20:38
Adorei!

Também costumo reparar no que as pessoas lêem. No outro dia vi uma rapariga ler no metro O Ano da Morte de Ricardo Reis e outra ler na Loja do Cidadão um título que não recordo de Camus. Assim dá gosto. Mas de resto só vejo ler aquelas coisas que se vendem em sacos de tule para guardar cuecas ou porcarias de auto-ajuda.

Creio que não lêem melhor porque não acreditam que exista melhor. Aquelas histórias simples chegam bem a qualquer cérebro cansado e pouco exigente. São cérebros que se conformam com aquilo e que depois passam a achar complicado tudo o que saia daquela realidade. Passam a considerar que não merece o esforço. Quem lê outro tipo de autores torna-se, a esses olhos, uma espécie de nerd sem vida própria. Enfim... Fere um bocado a vista, mas é coisa para piorar e nunca para melhorar. Eu, que observo os miúdos na escola, verifico que mesmo os que gostam de ler só escolhem o que não presta e estão muito pouco abertos à experimentação de coisas melhores. A leitura é cada vez mais uma atividade que vive de modas e que tem o cansaço como desculpa para não ser melhor e em maior quantidade. É uma pena.
De C. a 25 de Setembro de 2012 às 13:02
Todos os leitores "normais" têm momentos em que estão mais ou menos cansados e claro que nem sempre é possível deitar a mão a obras que sabemos que constituem um desafio. O que por vezes me frustra (talvez seja só às 2ªfs;)) é aceitar o que está à n/ frente sem procurarmos mais, porque "para tristezas já nos basta a n/ vida".
Tenho tido oportunidade de ler um pouco de tudo e há livros que não deixaram grande marca, li-os porque me apareceram à frente, porque alguém por quem sinto estima mo possa ter aconselhado.
O que é para mim um bom livro? Um bom livro é aquele que continua a fazer pensar depois de acabar de lê-lo, que me faz procurar mais "se gosto disto, é possível que ao fazer incursões neste sentido volte a experimentar a mesma sensação..."
A área da educação é um admirável mundo velho, não sei bem em que ponto estamos. Mas partindo da minha experiÊncia pessoal, creio que os planos não são próprios para adolescentes que estão a criar/ a afirmar o seu Ego. Acho a título de exemplo que o "Memorial" não é um livro para o secundário.

No fundo é quase ter a sorte de tropeçar num livro que nos faça olhar para o mundo e ter sede de mais;)
De As Minhas Quixotadas a 25 de Setembro de 2012 às 20:48
Por acaso acho que, no que à escola diz respeito, o Memorial é das obras menos desadequadas do programa e aquela de que, geralmente, acabam por gostar mais. Pude leccionar o Memorial do Convento em dois anos lectivos e a impressão com que fiquei foi a de que no início do ano todos tinham um preconceito enorme quanto a ler Saramago, porém no fim adoram a obra e até querem que saia no exame nacional. Desequilíblio maior é, para mim, o exagero de textos de Fernando Pessoa a estudar num só ano. Os três conhecidos heterónimos, mais o ortónimo e ainda a Mensagem são importantes, contudo ocupam mais de metade de um ano lectivo, o que não me parece bem.

Quanto às leituras, neste momento o meu cérebro cansado anda a ler O Ouro dos Corcundas, de Paulo Moreiras. Tem a sua graça, embora lhe encontre alguns problemas. Porém, tem sido puro entretenimento de transportes públicos. Leio muito mais e melhor do que isto, não me cinjo, de todo, a livros menos complexos (embora tire o meu chapéu ao trabalho ao nível da linguagem efectuado por este autor) e aí é que está a virtude. Muita gente limita os seus horizontes àquela literatura rosa ou de auto-ajuda, o que já não me parece bem. Mas, enfim, há vícios enraizados e muito difíceis de combater.
De C. a 26 de Setembro de 2012 às 13:41
Lá deito abaixo um preconceito. Sempre pensei que os jovens, pelo menos a maioria, e o Saramago ("Memorial") tivessem uma relação de incompatibilidade, muito por culpa das vendas das sebentas e dos comentários que ouvi.
Hum, e porque ainda franzo o sobrolho, especulo se o interesse das criaturas não se deve ao mérito e paixão da professora em relação ao assunto;D? (recordo que tive professores de tal forma envolvidos na matéria que leccionavam que me despertaram a curiosidade e hoje tenho uma ou outra obsessão à conta desses senhores. ;)
/Sr professor de espanhol da FLUL agradeço-lhe o facto de existir e de se ter cruzado com a minha vidinha/
De As Minhas Quixotadas a 26 de Setembro de 2012 às 20:25
Não sei se o mérito se deve ao entusiasmo da professora. Fiz por isso, mas também o faço com os Lusíadas e a coisa não pega tão bem... Acredito que a maioria não termine realmente de ler as vinte e cinco sequências do Memorial, mas não é por falta de aviso. No entanto nota-se, realmente, uma mudança de atitude relativamente à obra no final do ano.

Isso das sebentas é para tudo. Só lhes falta comprar uma sebenta que os ensine a calçar e descalçar os ténis porque quanto ao resto já as devem ter todas. Creio que é um vício que têm: matéria nova, sebenta nova.

Sim? Tive um professor de espanhol na FLUL que era muito castiço e que gostava muito de mim. Frequentou a FLUL há muitos anos? Se calhar ainda nos cruzámos por lá. :)
De numadeletra a 25 de Setembro de 2012 às 09:16
Diz-me o que lês... dir-te-ei quem és!
De C. a 25 de Setembro de 2012 às 13:07
Espero ainda ser algo em construção:)
Consegue pensar no que lia e era há 10 anos?
Os livros acompanham-nos, podem revelar em que momento estamos, mas é um mundo em aberto, cheio de possibilidades;)
De Carriço a 25 de Setembro de 2012 às 12:43
Eu já me conformei, acho que cada um deve ler o que lhe apetece. Como disse alguém que estimo, que esses livros gerem muitas receitas às editoras, para elas poderem editar os outros, os que me interessam. :)
Quanto a Lobo Antunes, do que li (e já foi alguma coisa), diria que esse Manual é o melhor.

Boas leituras!
De C. a 25 de Setembro de 2012 às 13:30
É uma grande verdade esse equilíbrio de contas/ publicação. No entanto, não deixa de ser caricato que os próprios editores não lêem o que publicam, pelofuturo fenómeno ser por eles considerado lixo. Não é bom para nós, mas como é para os outros não há problema. Interessa-nos sim a sobrevivência financeira, isto é um negócio, nada mais.
De Lobo Antunes li 2 1ºs livros e crónicas, ficou uma vontade imensa de continuar. Mas falhei tremendamente a ler um dos mais recentes no metro. Mas desta é que é-o livro já está na mesa de cabeceira:) Boas Leituras

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