Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Quem não tem cão, caça com gato

 

 

 
Uma pessoa vai à biblioteca à procura de algum título em português da Herta Müller e dada a procura que a sr.ª tem não é possível estabelecer contacto. Desse modo, e para não perder a viagem, acaba por deitar mão ao Thomas Bernhard e ao Robert Walser.
E é por isto que a lista de pendentes aumenta de dia para dia.
publicado por C. às 13:54
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Ler Mais Vs. Ler Melhor

 

«Há cada vez mais livros a viajar nos transportes públicos

Numa sociedade cada vez mais apressada, a leitura nos transportes públicos é uma forma de se aproveitar o tempo gasto nas deslocações entre casa e o trabalho. E, pela comodidade, o comboio é onde mais se lê.» (continuação)

 

Porque é 2ªf, e por norma às 2ªfs de manhã não consigo tirar o livro da mala, tenho a possibilidade de ver os hábitos de leitura dos portugueses:

As senhoras- Nora Roberts e aqueles livros que têm todo o aspecto de virem dentro de saquinhos coloridos;

Os senhores- As sagas fantásticas ou policiais;

Transversal- José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares-a coisa dispara sempre que há novidades

Depois existem os booms- não percebo como é que se geram fenómenos como o Segredo e o não sei que de Grey- Isto é como a peste, alastra!

 

No outro dia apanhei um ser com o Sr Lobo Antunes- bem, não fosse a minha timidez mórbida teria certamente sorrido, estabelecido contacto- prefiro perder-me internamente na ilusão de pensar "e um cafezinho e dois dedos de prosa?" - Sim, confesso a minha incapacidade para ler ALA nos transportes que é onde leio mais e entretanto vou adiando a sua leitura (brevemente "O Manual dos Inquisidores");

 

Bem sei que a leitura é um prazer e blah blah (whiskas saquetas). Ninguém nasce ensinado, como tal é ir aprendendo, compreendendo, articulando conhecimento. Contra as minhas convicções, coloco-me ao lado do Vargas Llosa (antevejo aqui um recalcamento) as pessoas tendem a procurar o que é fácil, e o pior não é isto, mas simplesmente querer permanecer aí com o argumento de que tudo o resto são tiradas pseudo-intelectuais.

 

E isto é o que eu denomino AZIA DE 2ªF (com reflexos de um resultado medíocre em Coimbra)

 

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publicado por C. às 11:54
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Domingo, 23 de Setembro de 2012

Nas horas que me pertencem

«Ele tinha-se semi-erguido, os olhos abertos, cheios de horror, mas deixou-se cair de novo sobre o catre, assolado pelo pavor, pela piedade, pela dor, pela noção de responsabilidade, pelo desamparo, pela fraqueza; não era ódio o que ele sentia contra a massa humana, nem sequer desprezo, nem sequer antipatia, como sempre ele não se queria afastar do povo, ou elevar-se sobre ele, mas tinha surgido qualquer coisa nova, qualquer coisa de que ele em todos os seus contactos com o povo nunca tinha querido tomar consciência, embora por todo o lado onde tinha estado, fosse em Nápoles ou em Roma ou em Atenas  indistintamente, tivesse tido inúmeras oportunidades para isso, e que aqui em Brindisi, tão surpreendentemente se impunha, ou seja, a profundidade abismal de desgraça do povo em toda a sua extensão, a degradação do homem até cair na populaça das grandes cidades, e com isso, a transformação do homem no anti-humano, causada pelo esvaziamento do ser, pela transformação do ser na cúpida vida da superfície, perdidas suas raízes primeiras e delas separado de tal modo que não restava mais nada a não ser a vida própria, perigosamente isolada, de uma exterioridade seca e baça, prenhe de desgraça, prenhe de morte, oh, prenhe de um fim misteriosamente demoníaco(…)»(p.25)

 

 A Morte de Virgílio 1º vol. de Hermann Broch, trad. Maria Adélia Silva Melo, Relógio d'Água

publicado por C. às 18:57
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

“Creo que tendré más influencia que Borges porque no tengo su talento y por lo tanto soy mucho más fácil de imitar”-Houellebecq

 

 

Artigo El País (aqui)

 

 

A tentar arranjar tempo para "encaixar" Les Particules Élémentaires (quanto mais leio mais me sinto desnorteada- é que não há tempo, sinto-me de tal forma desactualizada que parece que estagnei n' A Epopeia de Gilgamesh)

 

publicado por C. às 13:36
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Do Compromisso

A escritora já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão

 

 

A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para dia 28, sexta-feira da próxima semana, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”. (Público)

publicado por C. às 09:28
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Salman Rushdie - Memórias

RushdieJOSEPH ANTON

 

via el país

1º capítulo (espanhol) aqui

publicado por C. às 17:48
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

Nas horas que me pertencem

«Desde sempre amei a pureza, o folclore, o que é infantil, primitivo, inocente. Quando estou naquilo que os rigoristas chamam bem, aspiro ao mal porque me é necessário um certo mal para me distrair; quando estou no que se convencionou chamar mal, sinto uma nostalgia confusa, como se o que o comum das gentes entende por bem fosse realmente uma espécie de seio maternal donde se poderia sugar um leite susceptível de refrescar. Toda a minha vida é feita destas oscilações: se estou tranquilo, aborreço-me de morte e desejo não importa que alteração, mas, mal surge na minha existência um real elemento de subversão, perco pé, hesito, esquivo-me e a maior parte das vezes renuncio. Sou incapaz, em todo o caso, de agir sem reticência e sem remorso, nunca me entrego sem uma segunda intenção de voltar atrás e, se permaneço dobrado sobre mim mesmo, não é nunca sem a nostalgia de um abandono, que desejo veementemente. Desde que sou adulto, conservo um desejo constante de amizade ideal e de amor platónico, ao lado daquilo que alguns considerarão quedas indignas na baixeza e no vício (…)» (p.146)

 

Idade de homem de Michel Leiris, trad. M.ª Helena e Manuel Gusmão, Editorial Estampa.

publicado por C. às 19:44
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

António Lobo Antunes e Gonçalo M. Tavares finalistas do Prémio Médicis

Os escritores portugueses António Lobo Antunes e Gonçalo M. Tavares integram a lista de oito finalistas do Prémio Médicis para romance estrangeiro publicado em França, a entregar em Novembro, foi hoje divulgado pelos promotores do prémio.(Público)

 

Lobo Antunes já integrou várias vezes a lista do Prémio Médicis
publicado por C. às 17:50
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

Do cansaço que dá em parvoíce

Depois de quase todos ficarem cegos, da maioria votar em branco, de ninguém morrer...como era oportuno propagar o chegou o fim do mês e a população recusou-se a pagar contribuições, impostos e afins.

publicado por C. às 17:13
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

Nas horas que me pertencem

«Hasta anoche, andando por las calles mojadas de Vallcarca, no supe que nacer en semejante familia había sido un error imperdonable. De pronto entendí que siempre había estado sólo, que nunca había podido contar con mis padres, ni con un Dios al que encargar la búsqueda de soluciones, aunque,  a medida que crecía, fuera adoptando la costumbre de delegar el peso del pensamiento y la responsabilidad de mis actos en creencias imprecisas y en lecturas muy diversas. Ayer, martes, por la noche, al volver de casa de Dalmau en pleno aguacero, llegué a la conclusión de que esa carga me corresponde sólo a mi. Y de que mis aciertos y errores son responsabilidad mía y sólo mía. He necesitado sesenta años para verlo. Espero que me entiendas y comprendas lo desamparado y solo que me encuentro y lo muchísimo que te echo de menos. A pesar del pánico, ahora ya no acepto tablas de salvación para hundirme. A pesar de algunas insinuaciones, me mantengo sin creencias, sin sacerdotes, sin códigos consensuados que me allanen el camino hacia no se sabe dónde. Me encuentro viejo y la dama de la guadaña me invita a seguirla (...)» - (p. 13)

 

 

«- No soy nada.

- Se puede no ser nada?

Nunca he sabido responder a esa pregunta que me hicieron de niño, porque el enunciado da escalofríos. Se puede no ser nada? Yo será nada. Seré como el cero, que no es número natural, ni entero, ni racional, ni real, ni complejo, sino el elemento neutro en la suma de los números enteros? Me temo que ni eso; cuando no sea, dejaré de ser necesario, si es que lo soy.»- (p.123)

 

 

«Las obras de arte son soledades infinitas, dijo Rilke.

Los treinta y siete alumnos lo miraron en silencio. El profesor Adrià Ardèvol se levantó, bajó de la tarima y empezó a subir lentamente los escalones de las gradas.

Nada que decir?, preguntó

No, nadie tenía nada que decir. Mis alumnos no tienen nada wue decir al dardo de Rilke que les acabo de lanzar. Y se les digo que la bra de arte es el enigma que ninguna razón puede dominar?

-La obra de arte es el enigma que ninguna razón puede dominar.

Llegó a la mitad de las gradas. Algunas cabezas se volvieron a mirarlo. Diez años después de la muerte de Franco, los estudiantes habían perdido el empuje que los impelía a intervenir en todo, desordenado e inútil pero apasionadamente.- La realidad oculta de las cosas e de la vida sólo puede ser descifrada por aproximación con ayuda de la obra de arte, aunque sea incomprensible.- Los miró, giró sobre sí mismo para abarcarlos a todos con la mirada- En el poema enigmático resuena la voz del conflicto no resuelto.»

 

 

«-Cuando se ha degustado una vez la belleza del arte, la vda cambia. Cuando has oído cantar al coro Monteverdi la vida cambia. Cuando has visto a Vermeer de cerca, la vida cambia; cuando has leído a Proust, ya no eres el mismo. Lo que no sé es por qué.

(...)

-Si. Y entonces procuramos sobrevivir en el caos mediante el orden del arte.

-Escríbelo, no?- aventuró Bernat, tomando un sorbo de té.

-El poder del arte reside en la obra, o bien en el efecto que produce en la persona? Que opinas?

-Que tienes que escribirlo- insistió Sara al cabo de unos días- seguro que si lo escribes te aclaras más.

-Por qué me paraliza Homero? Por qué me deja sin respiración el quinteto de Brahms.(...)

-No se entiende la obra de arte si no se ve su evolución.- se cepilló los dientes y se enjuagó la boca. Mientras se secaba con la toalla, gritó por la puerta abierta del lavabo-: Pero siempre es necesario el toque genial del artista que precisamente la hace evolucionar.»- (pp. 539-540)

 

Yo Confieso de Jaume Cabré, ed. Destino

 

publicado por C. às 21:27
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