Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

VAZIO

Uma vez, num texto, falei em esgrimir no vazio. É uma questão de física. Não sei o qué é manejar um florete sem a resistência do ar. Não é fácil imaginar o vazio. Talvez no vazio seja um disparate.

 

in Manhã de Adília Lopes, Assírio & Alvim

publicado por C. às 11:44
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

...

 

Quero que se foda o sublime. A minuciosa construção do absoluto literário. Assim sem emendas e em rigoroso vernáculo, parece-me mais exacto. Quero que se foda o sublime (desculpem-me a repetição). Prefiro portas fechadas, casas destruídas, chaves de pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória que são o absoluto onde me posso sentar para beber mais um copo deste vinho que te pinta os lábios e te acende nos olhos esse fulgor de luz, esse pulsar de salto, onde me lanço para voltar ou não voltar, mas ter cumprido do sangue o impulso. Quero que se foda o sublime (começa a saber-me bem repeti-lo, o ritmo sincopado conjugado com a limpidez expressiva.) Estou a falar contigo, a viver contigo, a morrer contigo. Estou a dizer-te ama comigo, sofre comigo, morre comigo um pouco mais devagar.

 

in Canção da vida de Jorge Roque, Averno

publicado por C. às 11:45
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...

Devias querer vida em vez de palavras. Devias saber que as palavras não choram, não riem. Devias, sobretudo, aprender que estás só. Nenhuma palavra poderá viver ou morrer no teu lugar. Escreveste na mensagem que me enviaste: eu não vou poder ser feliz. Senti que estavas a trocar a vida pela poesia e nem a dor consegui ouvir. A violência do erro tudo calava e do grito que desesperada lançavas, nem dor nem poesia restavam.

 

Canção da vida, Jorge Roque

publicado por C. às 11:44
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2015

INVITACIÓN AL VÓMITO

Cúbrete el rostro 
y llora. 
Vomita. 
¡Sí! 
Vomita, 
largos trozos de vidrio, 
amargos alfileres, 
turbios gritos de espanto, 
vocablos carcomidos; 

sobre este purulento desborde de inocencia
sobre esta nauseabunda iniquidad sin cauce, 
y esta castrada y fétida sumisión cultivada 
en flatulentos caldos de terror y de ayuno. 


Cúbrete el rostro 
y llora... 
pero no te contengas. 
Vomita. 
¡Sí! 
Vomita, 
ante esta paranoica estupidez macabra, 
sobre este delirante cretinismo estentóreo 
y esta senil orgía de egoísmo prostático: 
lacios coágulos de asco, 
macerada impotencia, 
rancios jugos de hastío, 
trozos de amarga espera... 
horas entrecortadas por relinchos de angustia. 

 

publicado por C. às 11:46
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

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Entediar-se - sentir-se infinito. Perceber cada batida do coração, cada raio de luz ou gota de chuva, cada murmúrio que se produz, cada emanação que se exala; perceber o imediato e o longínquo, o imponderável e o fácil, o perene e o sombrio, e o evidente ou confuso que possa existir em tudo o que nos rodeia, em tudo o que rodeamos.

 

in Equinócio

publicado por C. às 11:47
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...

Porém, há acima de todos os factos humanos um complexo e nebuloso mistério: o de que se nasce cego.

E há também um enigma tenebroso, cheio de inescrutáveis augúrios: o de que o homem expira com os olhos abertos. Com os olhos abertos, espantados, como se tivesse sido vítima de uma grande falta, parados, sem pestanejar - alguém disse que fixos no muro.

 

in Equinócio de Francisco Tario, trad.Rui Manuel Amaral, Língua Morta

publicado por C. às 11:30
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

Beneficios y maleficios de Jorge Luis Borges

El encuentro con Borges no sucede nunca sin consecuencias. He aquí algunas de las cosas que pueden ocurrir, entre benéficas y maléficas:

  1. Pasar a su lado sin darse cuenta (maléfica).
  2. Pasar a su lado, regresarse y seguirlo durante un buen trecho para ver qué hace (benéfica).
  3. Pasar a su lado, regresarse y seguirlo para siempre (maléfica).
  4. Descubrir que uno es tonto y que hasta ese momento no se le había ocurrido una idea que más o menos valiera la pena (benéfica).
  5. Descubrir que uno es inteligente, puesto que le gusta Borges (benéfica).
  6. Deslumbrarse con la fábula de Aquiles y la Tortuga y creer que por ahí va la cosa (maléfica).
  7. Descubrir el infinito y la eternidad (benéfica).
  8. Preocuparse por el infinito y la eternidad (benéfica).
  9. Creer en el infinito y la eternidad (maléfica).
  10. Dejar de escribir (benéfica).

 

Augusto Monterroso

publicado por C. às 11:49
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015

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Desfilaron los años de las grandes ilusiones, de los pronósticos felices y también todas las omisiones que impidieron su realización. Sentí la angustia de no poder meter los dedos en el pasado y pegar los trozos de algún rompecabezas abandonado. (Carlos Fuentes)

publicado por C. às 11:49
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