Quinta-feira, 26 de Julho de 2012

#2

 

 

 

É um facto, gosto de textos autobiográficos, e apesar de acreditar que as obras falam por si, que não necessitam de acompanhamentos, ou sebentas, acredito também que a maioria dos autores, das mais diversas áreas, expõem um pouco de si, das suas vivências, das suas motivações, das suas formas de contemplar o que os rodeia, nas suas criações. Claro que esta questão é discutível, e a realidade é que nenhum autor, no que se pode designar por processo criativo, é refém das suas experiências.

 

Recentemente a Relógio d'Água publicou a autobiografia de Ingmar Bergman, Lanterna Mágica, e por essa ocasião efectuando umas pesquisas aqui e acolá deparei-me com uma edição anterior, da editora Caravela, e foi essa que li.

 

Como em qualquer autobiografia digna desse nome não são excluídos temas como a família, a transição da infância para a vida adulta, os relacionamentos, a carreira, o passar dos anos até à última estação. No entanto, o texto de Lanterna Mágica não é linear, não segue uma ordem cronológica. Bergman vai relatando, numa linguagem directa, por vezes crua, alguns episódios que o marcaram, e através deles algumas das sensações que influíram no seu carácter e no seu comportamento.

                                                                                                                  

Para quem procura o realizador Ingmar Bergman esta autobiografia ficará muito aquém das expectativas. Nela podemos encontrar o jovem Bergman, sentir-lhe as privações emocionais derivadas de um ambiente familiar austero, as debilidades físicas, a personalidade vincada, constantemente à beira da ebulição. De facto, podemos antever um pouco o futuro realizador quando o pequeno Bergman, que se sente fascinado por uma lanterna mágica que é oferecida ao seu irmão, consegue promover uma troca que satisfaça as partes- a lanterna mágica por soldadinhos de chumbo- e deste modo aos olhos do leitor nasce Bergman, o Realizador. Mas nesta autobiografia Ingmar Bergman ganha outra dimensão, a de homem do Teatro. Arrisco-me a dizer que esta autobiografia é uma demonstração genuína do amor de Bergman pelo Teatro, pela admiração por Strindberg, pela visão particular, por vezes falhada, de conceber os elementos cénicos e de gerir os egos dos intervenientes. E é preciso ser-se grande para, depois do reconhecimento, reconhecer os  próprios erros.

 

A melhor forma de recordar, hoje, Bergman é através dos seus filmes. Destes sempre me ficaram impressos, por vezes mais do que as imagens, os monólogos/diálogos de uma intensidade que nos fazem ver e rever os filmes sempre na expectativa de descobrir o que ficou oculto. É ir descobrindo a filmografia deste grande senhor…

 

publicado por C. às 20:56
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