Sexta-feira, 22 de Março de 2013

Nas horas que me pertencem

 

Noutras palavras, pode-se dizer que continuo a não compreen­der o que faz mover os seres humanos. A descoberta de que o meu conceito de felicidade parecia estar completamente em desacordo com o de toda a gente foi tão importante que me fazia levantar, sem sono, e lamentar-me, noite após noite, na minha cama. Isso levou--me, com efeito, à margem da loucura. Pergunto-me se, na verdade, fui feliz. Algumas pessoas disseram-me, e mais vezes do que as que consigo recordar, e desde que era um rapazinho, quão sortudo eu era, mas sempre me senti como se estivesse em sofrimento no infer­no. Parecia-me, no entanto, que aqueles que me chamavam sortudo eram incomparavelmente mais afortunados do que eu.

 

 

Não Humano de Osamu Dazai, trad. Ana Neto, Eucleia Ed., pp-16-17

publicado por C. às 08:55
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4 comentários:
De Carriço a 26 de Março de 2013 às 18:53
Despertei para este livro com uma crítica de Mário Rufino e logo o deixei debaixo de olho. Na semana passada fui a uma grande cadeia tentar aproveitar uma promoção e trazê-lo para casa. Não o tinham. Tratei de abreviar caminho e a Eucleia já o colocou a caminho de minha casa. É "só" subir e descer o arco-íris de Pynchon e vou lançar-me a este Não humano.
De C. a 27 de Março de 2013 às 09:33
Este"Não Humano" tem muito de autobiográfico (encontrei-o numa biografia do Mishima e descobri que tinha sido publicado "recentemente" por cá). A narrativa é simples, mas o interessante é como nos é apresentada uma personagem para ultrapassou o limite do desespero, que não tem pontos de contacto com o que o rodeia e que acaba por se criar à imagem pretendida. Acho que vale a pena descobrir Dazai :)
Tenho lido algumas coisas sobre o Pynchon e fico com a sensação que os seus livros são um quebra-cabeças. Qual o melhor para o conhecer?
De Carriço a 27 de Março de 2013 às 10:42
Que dizer de Pynchon? Li-lhe rasgadíssimos elogios e, assim que pude, deitei-lhe a mão. Comecei pelo livro que, na altura, era mais recente, Vício intrínseco. Desiludiu-me. Foi divertido e chegou para perceber que o homem sabe escrever, mas pouco mais. Pensei que talvez não tivesse feito a escolha certa e mantive a minha vontade intacta. A edição portuguesa daquela que é tida como a sua maior obra, Arco-íris da gravidade, facilitou-me a escolha do caminho. Estou a começar e, realmente, o homem sabe escrever, mas ainda sinto tudo muito disperso, demasiada abrangência (matemática, física, balística...) para o que apreendi até agora. Pode ser que a coisa se vá revelando de outra forma, mas ainda acho que a complexidade se sobrepõe a todo o ganho. O génio... ainda está por confirmar.
De C. a 28 de Março de 2013 às 09:31
Tenho de rumar ao norte...depois de me sentir mais familiarizada com a literatura norte-americana talvez me aventure ...por agora, Pynchon fica para 2ªs núpcias :D

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