Sábado, 17 de Janeiro de 2015

sei que mato as palavras quando escrevo

sei que mato as palavras quando escrevo

ditas as coisas fica o outro

lado do dito a face primeira a primeira lágrima talvez tudo

no mesmo sítio que o texto tentou redescobrir só que as palavras

ficam, ditos os sítios ficam no nada das palavras e o poema

morre no momento da página moribunda no seu branco é assim

que ele se faz se desfaz, melhor, entregue

ao garrote do seu dizer célere a querer estar

para sempre lido nos memoriais do instante de cada um de mim

liberto e preso no momento

em que deposito nomes na página nada fica, ficam os sítios ditos

sempre sítios

descobertos pelo poeta de repente mas sempre os sítios que ficam

o poeta sabe

e sobe pela morte dos nomes acima vai em busca dos lugares

sitiados amortalha –

– se morte é escrever que é o para quê do fugir do texto

sempre (?) a dar-se à partida – morto o sítio

primeiro a que o poeta descer quer    fica

o sítio morrem os nomes

 

TUDO ISTO PARA FALAR DA NOITE -Antologia Poética, Emanuel Jorge Botelho (Língua Morta)

publicado por C. às 11:43
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