Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

Nas horas que me pertencem

"Apetecia-me estar longe da profunda miséria interior das pessoas, da sua fragilidade e do seu medo, apetecia-me adormecer como o bombeiro um sono sem remorsos de menino, e lavar os dentes de manhã num copo de plástico cor-de-rosa com o rato Mickey estampado, sem nenhuma promessa de inferno à minha espera. (...)" (p.89)

 

Conhecimento do Inferno de António Lobo Antunes, Dom Quixote

publicado por C. às 09:18
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Sábado, 6 de Outubro de 2012

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Este fim-de-semana prolongado começou particularmente bem:

-últimas páginas do Cadernos de Lanzarote II, páginas sem pretensão literária que são o que um diário deve ser, um registo de impressões, de pensamentos do dia-a-dia, da actualidade, de pedaços da história pessoal que se vai construindo, de deveres e obrigações, sem cair no vulgar. Nestes Cadernos temos José Saramago, o homem, um pouco mais presente, reconhecemos-lhe o espírito, as suas convicções, as suas lutas e as suas fragilidades. Saramago é acusado de proceder a um exercício narcisista, mas sinceramente o que é que se pretende de um diário? - Sigo para o 3º Volume;

 

 

 

-últimas páginas de O Manual dos Inquisidores. Que os autores dos títulos que termino por esta altura (ALA vs Saramago) não se suportassem era lá com eles, que os seguidores fiéis não misturem águas também não me diz respeito. No que me diz respeito, tenho compartimentos mais do que suficientes para respeitar e admirar os dois e ainda sobra muito espaço. Quanto a este “Manual” tenho a dizer que é um livro imenso, impossível ficar indiferente e que fundamenta porque é António Lobo Antunes um escritor maior, não apenas da literatura portuguesa, mas mundial. Nas páginas do “Manual” o autor articula dois tempos, antes e depois do 25 de Abril, nos relatos e comentários de várias personagens, cujas vidas têm em comum o facto de terem sido afectadas por um homem- um homem que foi Ministro de Salazar e que então tinha o poder, o destino de várias vidas nas suas mãos, um homem que a dada altura não conseguiu suportar as perdas (sentimental e de poder) e que também aqui arrastou consigo todos os que algum dia estiveram sob a sua influência. Confesso que ainda estou a digerir a sensação predominante, a de uma angústia que quanto mais me invadia e se acomodava, mais me impelia a continuar. Recordo que, anteriormente, quando li Os Cus de Judas a sensação foi similar. Há algo nestas personagens à beira da vertigem, de um precipício do que é digno e o que é sobrevivência, há algo que é a vida na sua dimensão cruel e sem possibilidade de acalentar esperança.- Continuação: Conhecimento do Inferno em cima da mesa;

 

 

-Entretanto, e para aproveitar o andamento, iniciei dois títulos: El ruido de las cosas al caer de Juan Gabriel Vásquez (escritor colombiano-nova geração) e Jakob von Gunten de Robert Walser- Eis senão quando vejo a harmonia do meu fim-de-semana gravemente ameaçada pela simples razão de ao limpar o raio dos óculos ter ficado com metade em cada mão e não haver fita adesiva que salve a situação. A sério?!

publicado por C. às 20:50
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