Sábado, 22 de Agosto de 2015

...

Flores de cerejeira no céu escuro

e entre elas a melancolia

quase a florir

 

Ervas do estio

eis o que resta

do sonho dos guerreiros

 

Admirável aquele

cuja vida é um contínuo

relâmpago

 

Deixem-me caminhar

até que tropece e desapareça

na neve

 

 

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publicado por C. às 12:54
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

A Segunda Lição

basho

Nesta minha forma mortal, que é constituída por uma centena de ossos e alguns orifícios, há algo a que eu chamo um espírito arrebatado, na falta de um nome mais adequado, porque é muito mais uma veste delicada que se resga e é arrastada pela brisa. Esse espírito fez com que eu começasse a escrever poesia, apenas para me divertir a princípio, mas a que por fim acabei por dedicar a minha vida. Devo admitir, contudo, que alturas houve em que mergulhei em tal desânimo que estive quase para desistir desse objetivo, e outras alturas em que me deixei possuir pelo orgulho. Na verdade, desde que comecei a escrever poesia, nunca mais tive paz comigo mesmo, ondeando sempre entre dúvidas de toda a espécie. Por um lado queria conquistar uma certa segurança, pondo-me ao serviço de algum «daimio». Por outro lado desejava medir a profundeza da minha ignorância, entrando numa escola, mas era prevenido pelos dois pelo meu amor à poesia, O facto é que não conheço outra arte a não ser esta e agarrei-me a ela mais ou menos às cegas.

Saigyo na poesia tradicional, Sogi no «renga», Sesshu na pintura, Rikyu na arte do chá e, na verdade, todos os que alcançaram uma certa notoriedade em qualquer arte, possuem qualquer coisa em comum: um espírito para obedecer à natureza e fundir-se com ela, ao longo das quatro estações do ano. Por mais voltas que se dêem, o que o espírito vê é uma flor e aquilo que o espírito imagina, a lua. Só um espírito bárbaro vê outra coisa que não seja uma flor. Só um espírito animal imagina outra coisa que não seja a lua. A primeira lição para o artista é, por conseguinte, aprender a triunfar sobre a barbárie e a animalidade, para seguir a natureza e fundir-se com ela.

 

O Gosto Solitário do Orvalho de Matsuo Bashô, trad. Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim

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publicado por C. às 08:50
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