Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

lembrete: vê lá se te pões esperta e não deixas para a última...

Jangada de Pedra

 

11 A 26 OUT

JANGADA DE PEDRA

TEATRO O BANDO
SALA PRINCIPAL
Quarta a Sábado às 21h, domingo 17h30; M/
JANGADA DE PEDRA
DE JOSÉ SARAMAGO
ENCENAÇÃO DE JOÃO BRITES
QUARTA A SÁBADO ÀS 21H; DOMINGO ÀS 17H30
SALA PRINCIPAL
M/6
€12 a €15 (com descontos €5 a €10,50)
Sessão Língua Gestual Portuguesa: 13 Out 

Dando-nos o prazer de um teatro visionário, espécie de literatura em viagem pelas possibilidades plásticas e cenográficas propostas pelas suas sempre inesperadas máquinas de cena, O Bando retoma Saramago e a poderosa metáfora de uma península que se separa do continente e empreende uma viagem em busca de outro sentido.

«Todos nós jangadas partindo ainda sem saber para onde, largando amarras dos vícios, das dores, dos sistemas antigos e caducos. Todos nós procurando a diferença, a identidade, a soberania. Todos nós partindo para o mar e vendo ao longe esse rochedo fragmentado, essa Europa dividida entre tantos centros e outras tantas periferias. Todos nós caminhando, ouvindo cânticos ancestrais de uma ibéria feita de mil povos cruzados. Todos nós de costas voltadas, voltados de costas uns para os outros, perguntando às populações, aos amigos, aos viajantes: para onde vamos?» Teatro O Bando

Dramaturgia e dramatografia João Brites
Encenação e cenografia João Brites e Rui Francisco 
Música e direcção musical Jorge Salgueiro
Oralidade Teresa Lima 
Figurinos Clara Bento
Desenho de luz João Cachulo 
Desenho de som Sérgio Milhano
Interpretação Anna Kurikka, Bruno Huca, Guilherme Noronha, Miguel Branca, Nuno Nunes e Sara de Castro
Criação Teatro O Bando 
Co-produção Teatro O Bando, Imaginarius e São Luiz Teatro Municipal


Programa paralelo em colaboração com Fundação José Saramago
Agradecimento Escola Superior de Música de Lisboa, Pedro Moreira e José Cedoura 

O Teatro O Bando é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal - Secretário de Estado da Cultura / DGArtes e apoiada pela Câmara Municipal de Palmela    

(a la facebook- Estado: ENTUSIASMADA)                            

publicado por C. às 13:07
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2012

Parabéns, José Saramago!

 
(imagem retirada site F. José Saramago)

 

 

Pensar em Saramago é pensar na sua obra. Neste dia, que Saramago recordam?

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publicado por C. às 11:19
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Sábado, 6 de Outubro de 2012

#

Este fim-de-semana prolongado começou particularmente bem:

-últimas páginas do Cadernos de Lanzarote II, páginas sem pretensão literária que são o que um diário deve ser, um registo de impressões, de pensamentos do dia-a-dia, da actualidade, de pedaços da história pessoal que se vai construindo, de deveres e obrigações, sem cair no vulgar. Nestes Cadernos temos José Saramago, o homem, um pouco mais presente, reconhecemos-lhe o espírito, as suas convicções, as suas lutas e as suas fragilidades. Saramago é acusado de proceder a um exercício narcisista, mas sinceramente o que é que se pretende de um diário? - Sigo para o 3º Volume;

 

 

 

-últimas páginas de O Manual dos Inquisidores. Que os autores dos títulos que termino por esta altura (ALA vs Saramago) não se suportassem era lá com eles, que os seguidores fiéis não misturem águas também não me diz respeito. No que me diz respeito, tenho compartimentos mais do que suficientes para respeitar e admirar os dois e ainda sobra muito espaço. Quanto a este “Manual” tenho a dizer que é um livro imenso, impossível ficar indiferente e que fundamenta porque é António Lobo Antunes um escritor maior, não apenas da literatura portuguesa, mas mundial. Nas páginas do “Manual” o autor articula dois tempos, antes e depois do 25 de Abril, nos relatos e comentários de várias personagens, cujas vidas têm em comum o facto de terem sido afectadas por um homem- um homem que foi Ministro de Salazar e que então tinha o poder, o destino de várias vidas nas suas mãos, um homem que a dada altura não conseguiu suportar as perdas (sentimental e de poder) e que também aqui arrastou consigo todos os que algum dia estiveram sob a sua influência. Confesso que ainda estou a digerir a sensação predominante, a de uma angústia que quanto mais me invadia e se acomodava, mais me impelia a continuar. Recordo que, anteriormente, quando li Os Cus de Judas a sensação foi similar. Há algo nestas personagens à beira da vertigem, de um precipício do que é digno e o que é sobrevivência, há algo que é a vida na sua dimensão cruel e sem possibilidade de acalentar esperança.- Continuação: Conhecimento do Inferno em cima da mesa;

 

 

-Entretanto, e para aproveitar o andamento, iniciei dois títulos: El ruido de las cosas al caer de Juan Gabriel Vásquez (escritor colombiano-nova geração) e Jakob von Gunten de Robert Walser- Eis senão quando vejo a harmonia do meu fim-de-semana gravemente ameaçada pela simples razão de ao limpar o raio dos óculos ter ficado com metade em cada mão e não haver fita adesiva que salve a situação. A sério?!

publicado por C. às 20:50
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012

Nas horas que me pertencem

“(…) Falou-se da Lisboa Capital da Cultura (repeti e aclarei as minhas críticas), de Europa inevitavelmente (tive a melancólica satisfação de ouvir a Mário Soares que partilha hoje de algumas das minhas reservas, antigas e recentes, sobre a União Europeia: «Que será de Portugal quando acabarem os subsídios?», foi sua a pergunta, não minha). Aproveitei a ocasião e permiti-me substituir a pergunta por outras, mais inquietantes: «Para que serve um país que depende de tudo e de todos? Como pode um povo viver sem uma ideia de futuro que lhe seja própria? Quem manda realmente em Portugal?»” (p. 64)

 

“(…) As festas, em geral, e esta não podia ser excepção, põem-me melancólico, mas no regresso dei por mim a dizer a Pilar: «Se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.»” (p. 70)

 

“Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez - contentemo-nos com um talvez-, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.” (p. 92)

 

“Vista à distância a humanidade é uma coisa muito bonita, com uma larga e suculenta história, muita literatura, muita arte, filosofias e religiões em barda, para todos os apetites, ciência que é um regalo, desenvolvimento que não se sabe aonde vai parar, enfim, o Criador tem todas as razões para estar satisfeito e orgulhoso da imaginação de que a si mesmo se dotou. Qualquer observador imparcial reconheceria que nenhum deus de outra galáxia teria feito melhor. Porém, se a olharmos de perto, a humanidade (tu, ele, nós, vós, eles, eu) é com perdão da grosseira palavra, uma merda. (…)” (p. 148)

 

“Estar sentado frente ao mar. Pensar que já não restam muitos anos de vida. Compreender que a felicidade é apenas uma questão pessoal, que o mundo, esse, não será feliz nunca. Recordar o que se fez e achá-lo tão pouco. Dizer: «Se eu tivesse mais tempo…»- e encolher o sombrós com ironia porque são palavras insensatas. Olhar a pedra vulcânica que está no meio do jardim, bruta, áspera e negra, e pensar que é um bom sítio para não pensar em mais nada. Debaixo dela, claro.” (p. 193)

 

Cadernos de Lanzarote- Diário II de José Saramago, Caminho

 

 

 

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publicado por C. às 17:59
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Domingo, 9 de Setembro de 2012

Nas horas que me pertencem

«Toutefois, si l'on évoque José Saramago, Tabucchi prend un air absent et détourne le regard. Manifestement, c'est vers une autre littérature que ses affinités le dririgent.» (...)Antonio Tabucchi não me perdoará nunca ter escrito O Ano da Morte de Ricardo Reis. Herdeiro, ele, como faz questão de se mostrar, de Pessoa, tanto no físico quanto no mental, viu aparecer nas mãos de outrém aquilo que teria sido a coroa da sua vida, se e tivesse lembrado a horas e tivesse a vontade necessária:  narrar, em verdadeiro romance, o regresso e a morte de Ricardo Reis, ser Reis e ser Pessoa, por um tempo, humildemente - e depois retirar-se, porque o mundo é vasto de mais para andarmos cá a contar sempre as mesmas histórias. (pp.22-23)

 

Como será possível acreditar num Deus criador no Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus. (p. 26)

 

(...) Chegado agora a estes dias, os meus e os do mundo, vejo-me diante de duas probabilidades: ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavemente um animal entre os animais, é, também indubitavelmente, o mais irracional de todos eles. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser eu morbidamente propenso a filosofias pessimistas, mas porque o espectáculo do mundo é, em minha fraca opinião, e de todos os pontos de vista, uma demonstração explícita e evidente do que chamo irracionalidade. Vemos o abismo, está aí diante dos olhos, e contudo avançamos para ele como uma multidão de lemmings suicidas, com a capital diferença de que, de caminho, nos vamos entretendo a trucidar-nos uns aos outros. (pp.26-27)

 

Em Paris, em Roma, em Madrid, em Londres, no fim do mundo, Jorge Amado recordará o Brasil e, no seu coração, em vez daquela lenitiva mágoa dos ingénuos, que é a saudade, sentirá a dor terrível de perguntar-se: «Que posso eu fazer pela minha terra?»-e encontrar como resposta «Nada». Porque a pátria, Brasil, Portugal, qualquer, é só de alguns, nunca de todos, e os povos sevem os donos dela crendo que a servem a ela. No longo e sempre acrescentado rol das alienações, esta é, provavelmente , a maior. (p.33)

 

O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que estale a felicidade. Que mais resta, então, senão chorar? (p.85)

 

Cadernos de Lanzarote-Diário-I de José Saramago, Caminho

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publicado por C. às 16:58
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