Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

O sonho da razão engendra monstros

 

 

Desde os anos de faculdade que vou estando atenta à programação do Teatro da Cornucópia. Há peças de que gosto mais do que de outras, mas mesmo assim quando penso no trabalho desenvolvido por Luís Miguel Cintra e companhia tenho tendência para ser parcial.

 

Ontem foi o último dia de exibição d' O Sonho da Razão e como boa portuguesa que sou lá fui eu movida por uma nova curiosidade- De que forma se sentiriam, em palco, os efeitos dos cortes nos subsídios? A realidade é que a qualidade da representação não foi afectada em nada. Houve sim um desdobramento dos actores Dinarte Branco, Leonor Salgueiro em diversas personagens. E é precisamente este querer, esta vontade de continuar nestes tempos sombrios (muito apropriada a selecção de textos do século das Luzes, da Razão) que destaco.

 

O público em geral, o eu inserido no colectivo, tem ainda o livre arbítrio de corresponder, alimentando assim o que se possa entender por Liberdade, porque um país com as estruturas culturais degradadas é um país pobre- da pobreza mais perigosa, que é a perda da capacidade de reflexão e a apatia.

publicado por C. às 09:42
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

O SONHO DA RAZÃO- Na Agenda

 

De 28 de Junho a 8 de Julho e de 17 a 29 de Julho, no Teatro do Bairro Alto.

De a Sábado às 21.00h e Domingo às 16.00h.

Nos dias 5, 6, 7 e 8 de Julho integrado na programação do Festival de Almada.

 

O SONHO DA RAZÃO
Uma colagem de Luis Miguel Cintra de textos de Diderot, Voltaire, Marquês de Sade e Voisenon

 

Tradução Luís Lima Barreto, Luiza Neto Jorge e Manuel João Gomes

Adaptação e Encenação Luis Miguel Cintra

Cenário e Figurinos Cristina Reis

 

Desenho de Luz Daniel Worm d'Assunpção

Interpretação Dinarte Branco, Leonor Salgueiro e Luis Miguel Cintra

    

 

Uma rapariga toma conta de um filósofo que parece moribundo. Vem o padre, vem o médico, vampiros tanto do pensamento do velho, como da inocência da moça. A paixão pela Liberdade e pela Razão, o sonho de um pensamento novo e de uma nova humanidade descamba em pesadelo, povoado por galos e galinhas. O célebre diálogo do Marquês de Sade entre o padre e o moribundo e o cinismo de uma mundana marechala vêm pôr fim ao pequeno dies irae. É um jogo cénico para três actores, criando novo texto a partir de trechos dos diálogos filosóficos dos iluministas franceses. São questões tão graves como a Civilização face à Barbárie, a hipocrisia Social, o Casamento, a Igreja Católica, os privilégios de classe, o valor subversivo da libertinagem, a conquista da Liberdade, etc. que são abordados em tom de brincadeira. Esconde-se atrás destes textos a vontade de uma mudança social pré-revolucionária. A revolução de 1789 virá trazê-los para a vida pública. O espectáculo inventa os corpos frágeis das vidas humanas por onde a História sempre passa. E os ultrapassa. Passados uns anos, a vida humana já se pode tornar em teatro de boulevard. E rouba o título à famosa gravura de Goya: o sonho da razão engendra monstros.

 

http://www.teatro-cornucopia.pt

publicado por C. às 09:37
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