Sexta-feira, 14 de Março de 2014

QUERO



 

desconto de 50% Procura-se

já seria o melhor dos mundos possíveis


inspirar, expirar

pensar nos livros que tenho

(nos que chegaram por estes dias-uma vénia à awesomebooks e alcaná libros- THANKS e GRACIAS)

e ...damn, um dia de cada vez, certo?


Mas já disse que GOSTO MUITO de Thomas Bernhard

publicado por C. às 16:18
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Quinta-feira, 4 de Julho de 2013

Nas horas que me pertencem

Nós não devemos tomar constantemente como pretexto os nossos grandes e pendurar desses grandes, com toda a violência e gritaria, a nossa mesquinha existência e o nosso desamparo.

 

Os Meus Prémios de Thomas Bernhard, trad. José A. Palma Caetano, Quetzal,  pp.120-121

publicado por C. às 22:05
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

do teatro

(...)

 O que os actores representam

é sempre representado como uma coisa falsa

precisamente fingido meu caro senhor

e justamente por isso é que é teatro

O que se representa é fingido

e nós adoramos o fingido representado

Foi assim que escrevi a minha comédia

fingindo

é assim que a representamos

fingindo

é assim que ela é recebida

fingindo

O escritor é fingido

os intérpretes são fingidos

e tudo junto é um único absurdo

já para não dizer

que se trata de uma perversidade

que tem já milhares de anos

o teatro é uma perversidade com milhares de anos

pela qual a humanidade é doida

e é tão doida por ela

porque é doida pelo seu fingimento

e em parte nenhuma desta humanidade

o fingimento é maior e mais fascinante

que no teatro

(...)

 

O Fazedor de Teatro de Thomas Bernhard, trad. José A. Palma Caetano, Assírio & Alvim

publicado por C. às 09:09
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Nas horas que me pertencem

 

«Após muitos anos de abstinência não intencional da amizade, eu voltava a ter subitamente um amigo verdadeiro, que também compreendia as escapadelas mais loucas da minha cabeça realmente bastante complicada e, portanto, mesmo nada simples e se atrevia a entrar nas escapadelas mais loucas da minha cabeça, algo de que todos os outros em torno de mim nunca foram capazes, porque também a isso de modo algum estavam dispostos. Bastava que eu só muito ligeiramente aludisse a um tema, para que ele se desenvolvesse logo exactamente no sentido em que nas nossas cabeças tinha de se desenvolver e não só no referente música, a sua e a minha primeira e primacial especialidade, mas também a tudo o mais. Eu nunca tinha conhecido ninguém com um espírito de observação mais agudo e uma maior riqueza de pensamento. Só que o Paul deitava continuamente pela janela fora a sua riqueza de pensamento, exactamente como fazia com a sua riqueza monetária, mas, ao passo que esta riqueza monetária em breve tinha sido deitada definitivamente pela janela fora e se havia esgotado, a sua riqueza de pensamento era realmente inesgotável; ele deitava-a continuamente pela janela fora e ela multiplicava-se (simultaneamente) de forma contínua, quanto maior era o quinhão da sua riqueza de pensamento que ele deitava pela janela fora (da sua cabeça), mais essa riqueza aumentava; é uma característica das pessoas que primeiro são doidas e por fim qualificadas de dementes o facto de deitarem pela janela fora (da sua cabeça) cada vez mais e sempre de forma contínua a sua riqueza mental e simultaneamente na sua cabeça essa sua riqueza mental se multiplicar com a mesma velocidade com que elas a deitam pela janela fora (da sua cabeça). Elas deitam cada vez mais riqueza mental pela janela fora (da sua cabeça) e ela vai sendo, na sua cabeça, cada vez mais e tornando-se naturalmente cada vez mais ameaçadora e por fim já não é suficiente o deitar fora (da sua cabeça) a sua riqueza mental que nela se vai incessantemente multiplicando e acumulando, acabando por explodir. Assim explodiu muito simplesmente a cabeça do Paul, porque ele já não conseguia deitar fora (da sua cabeça) na medida suficiente a sua riqueza mental. Assim explodiu também a cabeça de Nietzsche. Assim explodiram afinal de contas todas essas cabeças filosóficas, porque não conseguiram deitar fora, na medida suficiente, a sua riqueza mental. (…)» (pp.37-38)

 

«(…) Porque efectivamente nesse período, antes de conhecer o meu amigo, tive de lutar durante anos com uma melancolia mórbida, se não mesmo depressão, e na verdade cheguei então a considerar-me perdido, duranta anos não fiz nada de importante e , na maior parte do tempo, começava e terminava os dias com um pleno desinteresse poe eles. E nessa altura estive muitas vezes perto de pôr termo à vida pelas minhas próprias mãos. Durante anos refugiei-me apenas numa terrível e embrutecedora especulação com o suicídio, que tudo me tornava insuportável e me tornava a mim próprio o mais insuportável de tudo, contra o absurdo do dia-a-dia que me rodeava e no qual eu mesmo me tinha precipitado provavelmente devido à minha fraqueza geral, mas sobretudo devido à minha fraqueza de carácter. Durante muito tempo eu não queria sequer imaginar que pudesse continuar a viver, nem mesmo que pudesse continuar a existir, já não era capaz de aceitar qualquer objectivo para a vida e, por conseguinte, já não conseguia dominar-me e, quando acordava de manhã, estava fatalmente sujeito a esse mecanismo mental do suicídio, do qual já não saía durante o dia inteiro. Eu tinha sido também nessa altura abandonado por todos, porque eu também a todos tinha abandonado, esta é que é a verdade, porque eu já não queria ninguém, tal como já não queria nada, mas fui demasiado cobarde para acabar comigo. E foi provavelmente no ponto culminante do meu desespero, não me envergonho de pronunciar a palavra, porque já não tenho intenção de mentir a mim próprio e dissimular seja o que for onde já não há nada a dissimular, numa sociedade e num mundo em que permanentemente tudo se dissimula e da maneira mais asquerosa, que o Paul apareceu, que o conheci na Blumenstockgasse, em casa da nossa comum amiga Irina. Ele foi nesse momento uma pessoa tão diferente, tão nova para mim, ainda por cima ligado a um nome que eu admirava como nenhum outro havia muitos anos, que tive imediatamente a sensação de estar ali o meu salvador. Tudo isso me acorreu de novo ao espírito com extrema nitidez no banco do Stadtpark e não me envergonhei do meu tom patético, nem das palavras empoladas que a todo o custo fiz entrar em mim e que nunca antes em mim permitira, agora faziam-me bem de um modo extraordinário e nem no mínimo as atenuei. Como uma chuva refrescante, deixei que todas essas palavras caíssem sobre mim. E penso hoje que podemos contar com os dedos de uma só mão as pessoas que verdadeiramente significaram alguma coisa na nossa vida e muitas vezes até essa mão resiste à perversidade com que julgamos ter de usar uma mão inteira para contar essas pessoas, quando afinal, se formos honestos, o poderemos fazer provavelmente sem um único dedo. (…)» (pp.102-104)

 

O Sobrinho de Wittgenstein- Uma Amizade de Thomas Bernhard, trad. José A. Palma Caetano Assírio & Alvim

publicado por C. às 09:15
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

.arquivos

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Outubro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds